Abril

28-03-2024

De forma curiosa, este ano, o mês de Abril (que deriva do latim "aperire", que significa abrir, referindo-se ao abrir das flores na Primavera) começa logo a seguir à Páscoa que, embora sem certezas, pensa-se que virá do termo hebraico "pessach", que significa passar por cima, saltar por cima. Uma palavra associada à ideia de travessia ou de passagem.
Enquanto reflito sobre estas palavras, olho para a janela, sobre a qual bate fortemente uma chuva intensa. O seu lamúrio faz-me parar, sentir a respiração e regressar aquela paz de quem se permite apenas SER.
Tento voltar ao texto, questiono-me sobre se gostaria de atravessar ou de saltar por cima de alguma coisa da minha vida. Se haveria algo que eu gostasse de deixar para trás de forma a poder abrir-me a algo diferente.
A chuva volta a captar a minha atenção, sou embalada pela forma como os pingos deslizam pelo vidro, pelo chapinhar das gordas gotas que caem no chão.
Um dia de chuva é simplesmente isso, um dia de chuva. E talvez a vida não encerre nenhum segredo ou mistério e seja simplesmente isso, vida.
Não serão todos os dias uma travessia, para nos abrirmos, no novo dia que nasce, a uma nova travessia?
Sigo de olhar atento, uma pequena gotinha de chuva que bateu contra o vidro, curiosa por saber qual o caminho que irá escolher para descer até ao chão. Imagino que ela nunca se questiona se é uma gotinha "como deve ser" ou se escolheu "o caminho certo". Apenas é uma gota, que atravessa o vidro na abertura e confiança de que a vida sempre cuidará dela, nesta eterna travessia, neste eterno abrir para novos ciclos. Uma gotinha que é simplesmente isso, uma gotinha!


Rita

Imagem retirada de https://br.freepik.com/fotos-premium/chuva-forte-pingos-de-chuva-no-vidro-da-janela-em-um-dia-de-verao-foco-seletivo-profundidade-de-campo-rasa-gotas-de-agua-caem-em-uma-janela-molhada-vidro-cheio-de-gotas-durante-uma-chuva_31327534.htm