
"Sem integridade e consciência perdemos a nossa liberdade."
Jack Kornfield
Este estúdio nasceu com a intenção de ser um espaço de prática, mas também de encontro e de comunidade.
Um lugar onde cada pessoa possa chegar tal como é e encontrar um momento de pausa, de trabalho do corpo e da mente, de risos, partilhas e aprendizagens, mas também um lugar onde possam nascer amizades.
Enquanto professora e responsável por este espaço, comprometo-me a ensinar com respeito pela individualidade de cada pessoa, reconhecendo os limites da minha formação e procurando que cada aluno encontre na prática um espaço de segurança, autonomia e escuta.
Este Código de Ética inspira-se nos Yamas e Niyamas, princípios éticos da tradição do Yoga que nos convidam a refletir não apenas sobre a forma como nos relacionamos com os outros, mas também sobre a forma como nos relacionamos connosco próprios.
Inspirando-me numa reflexão de Jack Kornfield, acredito que existe uma forma mais profunda de alegria que nasce da maneira como escolhemos viver: quando agimos com integridade, honestidade, generosidade e cuidado pelos outros, não estamos apenas a contribuir para o seu bem-estar, estamos também a cultivar a nossa própria felicidade.
Mais do que um conjunto de regras, estes princípios representam valores que nos podem ajudar a encontrar essa forma mais profunda de alegria. São também a base para cultivarmos um espaço seguro para todos e aprofundarmos relações assentes no respeito, na honestidade e na amizade — valores que sustentam e dão vida à nossa comunidade.

Código de Ética
1. Ahimsa — Não causar dano, respeito e cuidado por si e pelo outro
Comprometo-me a respeitar o corpo, os seus limites e as suas possibilidades, praticando a partir do lugar onde me encontro e escutando sempre os sinais de dor, desconforto ou necessidade de parar.
Reconheço que não há corpos certos ou errados e acolho as diferenças, os diferentes ritmos e percursos de cada pessoa, sem julgamento, comparação ou gozo.
2. Satya — Verdade e autenticidade
Comprometo-me a agir e a comunicar com verdade, honestidade e respeito, comigo próprio e com os outros, procurando questionar-me se aquilo que estou prestes a dizer é verdadeiro, útil e oportuno, e se o consigo fazer causando o menor dano possível.
Reconheço a importância de colocar questões sempre que surgir alguma dúvida ou dificuldade e de dar os feedbacks que considere relevantes, contribuindo para melhorar a minha experiência de prática e o trabalho desenvolvido no espaço.
3. Asteya — Respeito pelo outro, pelo seu tempo e pelo espaço
Comprometo-me a respeitar aquilo que pertence ao outro e aquilo que me pertence: o tempo, o espaço, os materiais de prática, a atenção e os limites de cada um.
Comprometo-me a respeitar a privacidade e a confidencialidade de todos, não divulgando informações pessoais partilhadas no contexto das aulas, nem fotografando, filmando ou partilhando imagens de alunos ou professores sem o respetivo consentimento.
Reconheço a importância de respeitar as regras de funcionamento que permitem a partilha harmoniosa do espaço, nomeadamente os horários das aulas e a correta utilização dos materiais e das instalações.
4. Brahmacharya — Limites e integridade na relação professor-aluno
Comprometo-me a manter a relação entre professor e aluno exclusivamente profissional, assente no respeito, na confiança, na responsabilidade e na amizade, mas também em limites claros. No âmbito desta relação, não há espaço para abordagens de natureza amorosa ou sexual, insinuações, propostas ou mensagens de carácter íntimo ou inadequado.
Comprometo-me a respeitar os limites relacionados com o toque e os ajustes físicos. Enquanto aluno, sou livre de dar ou retirar o meu consentimento a qualquer momento; enquanto professor, comprometo-me a procurar esse consentimento e a respeitar sempre um "não", sem necessidade de justificação.
Reconheço que o espaço de prático deve permitir que todas as pessoas se sintam seguras e respeitadas, sem constrangimentos ou ambiguidades relativamente à natureza da relação estabelecida.

5. Aparigraha — Não possessividade, liberdade e autonomia
Comprometo-me com uma prática não fixada em alcançar determinado objetivo ou resultado, mas orientada pela liberdade de a adaptar à minha condição e por uma evolução progressiva e coerente.
Reconheço que a prática deve promover autonomia e não dependência e que sou livre para adaptar, interromper ou simplesmente não realizar uma postura ou exercício sempre que sentir necessidade.
6. Saucha — Limpeza, organização e cuidado comigo, com os outros e com o espaço
Comprometo-me a manter o espaço, os materiais e aquilo que partilhamos limpos, organizados e cuidados, contribuindo para um ambiente tranquilo e acolhedor.
Reconheço que este cuidado se estende também à forma como entro no espaço e me relaciono com aqueles que o partilham comigo, procurando contribuir para um ambiente de respeito, tranquilidade e bem-estar.
7. Santosha — Aceitação e não comparação
Comprometo-me a aceitar o meu corpo e cada prática tal como se apresentam, sabendo que cada prática é singular, que nem todos os dias o corpo responde da mesma forma e que o caminho não é linear. Há momentos de evolução, momentos de dificuldade e momentos em que simplesmente precisamos de parar.
Reconheço que cada corpo tem a sua história, as suas lesões, as suas qualidades e dificuldades e que, por isso, a comparação é injusta e contraproducente, contribuindo apenas para um estado de insatisfação e infelicidade. Reconheço também que não existe uma "postura perfeita" ou um "movimento perfeito" que todos tenhamos de alcançar, mas uma prática que se adapta e se constrói a partir da singularidade de cada corpo.
8. Tapas — Compromisso com a prática
Comprometo-me com uma prática feita com intenção, continuidade e compromisso.
Reconheço que esse compromisso não significa rigidez ou exigência excessiva, mas a disponibilidade para regressar continuamente à prática e procurar, dentro dos limites de segurança, sair da minha zona de conforto, desafiar-me e ir um pouco mais além, permitindo que a evolução e a melhoria da minha condição física possam acontecer.

9. Svadhyaya — Autoconhecimento
Comprometo-me com uma prática mais consciente, observando o meu corpo, a respiração e o movimento, percebendo como o corpo responde ao esforço e reconhecendo as suas forças, limitações, tensões e necessidades.
Reconheço que a prática me permite conhecer melhor o meu corpo e compreender como ele se move, não apenas durante as aulas, mas também na forma como me movimento ao longo do dia. Reconheço ainda a oportunidade de observar os meus pensamentos, hábitos e a forma como reajo perante a facilidade, a dificuldade e o desafio.
10. Ishvara Pranidhana — Confiança e abertura
Comprometo-me a praticar com uma mente de principiante, mantendo-me aberto às propostas, orientações e correções do professor, com curiosidade e disponibilidade para aprender.
Reconheço a importância de cultivar uma relação de confiança com o professor e com os colegas e de abdicar da necessidade de controlar tudo, permitindo-me abrir a novos desafios e aceitando que cada aprendizagem, evolução ou resultado tem o seu próprio tempo, único e singular para cada pessoa.
